MEMORIA E ESQUECIMENTO: REPRESENTAÇÃO CULTURAL DO IDOSO NOS ANOS 80. (1980- 1985)

 

MEMORIA E ESQUECIMENTO: REPRESENTAÇÃO CULTURAL DO IDOSO NOS ANOS 80 (1890- 1985)

 

                                                                          Andreza Jucelly Severina da Silva*

 

Resumo: Esse artigo tem o objetivo de discutir o conceito de memória e a problemática da 3ª idade nos anos de 1980 até 1985. E são nesses períodos que se obtêm dados dos periódicos de jornais (Diário de Pernambuco), como pesquisas acadêmicas e dadas estáticas e mostram o índice numérico do quantitativo de Idosos em Pernambuco. Com esses dados se tem 75% das pesquisas acadêmicas gerontologias e de medicina, 15% em serviço social, 7% em educação física, 3 a 1 % em humanidades. A antropologia  destaca a memória do idoso como um recurso de representabilidade de identidade, sendo também um resquício de toda a História cultural envolvida na figura de um ancião (chefe de aldeia). No entanto,  na Modernidade o idoso é visto como ultrapassado e decadente. . Por que os velhos são vistos como seres ultrapassados no século XX? Será que a arte de narrar está definhando, nas palavras de Walter Benjamin? Ou na verdade o velho é representado de outra forma na sociedade brasileira, principalmente pelo fato desses sujeitos não terem uma representação nas instituições de saber.

Palavras chaves: Idoso. Representação. Exclusão. Identidade.

 

Abstrat: Este artículo tiene como objetivo discutir El concepto de memória y La problemática de La tercera edad em lós años 1980 a 1985. Y es durante estos períodos que se obtienen datos de lós periódicos (Diário de Pernambuco), como La investigacíon académica y los datos estáticos y muestran el índice numérico del número de ancioanos en Pernambuco. Com estos datos tenemos 75% de investigación acadêmica en gerontologia y medicina, 15% em trabajo social, 7% em educación física, 3 a 1%en humanidades. La antropologia destaca La memória del anciano como recurso para La representacíon de La identidad, siendo también um remanente de toda La historia cultural envuelta en La figura de um anciano(jefe de aldeã). Sin embargo, em la Modernidad, lãs personas mayores son vistas como anticuadas y decadentes. . ¿ Por qué se ve a los ancianos como seres obsoletos en el siglo XX? ¿ Está menguando el arte de narrar, en palabras de Walter Benjamin? O, de hecho, lo viejo está representado de otra manera en la sociedad brasileña, principalmente por el hecho de que estos sujetos no están representados en las instituciones del conocimiento.

Palabra clave:  Aciano. Representación. Exclusión. Identidad.

 

 

Introdução

 

 

“A economia é baseada no lucro; é este, na patria, a que toda a civilização está subordinada:o natural humano só interessa enquanto produz. Depois, é jogado fora”(De, Beauvoir, Simone. Página 13)

 

            O corpo humano é um complexo de órgãos e sistemas. Cada sistema está encarregado de estabelecer uma função especifica e os órgãos estão encabeçados na estabilidade da vida biológica corpórea. Como exemplo, o pulmão está associado ao sistema respiratório, o coração ao sistema circular, e o cérebro ao sistema nervoso. Cada célula estabelece uma dinâmica, apontado que o ato de lembrar – rememorar não pode fugir a essa regra básica. Culturalmente, o símbolo e gestos humanos estm muito mais ligado a uma teia da “dinâmica do cotidiano”, no qual um fenômeno social pode representar o imaginário de um povo.  O venho é aquele individuo que participa dos afazeres da vida urbana ou rural, mas ele sempre vai carregar consigo um símbolo de  trabalhador ou de quem não mais trabalha. Será que essa produtividade o repele de ser muito mais que um organismo lento, mesmo sabendo que os seus cabelos brancos carregam o selo da experiência de vida? Simone de Beauvoir escreve com a pena da doçura, destacando o quanto o conceito da palavra velho é carregada de símbolos pejorativos, todavia, é a relembrança de sua vida que esclarece que a 3ª idade é nada mais nada menos que um rito de passagem cultural.  Assim, ela inicia sua obra clássica “A velhice”, com uma parábola sobre um “moribundo e o príncipe Sidarta Buda”.  A principio, o Buda era um jovem arrogante, que saia de carruagem exibindo “saúde” depois que fugirá do palácio de seu pai. Nesse dia, ele se deparou com uma pessoa enferma, desdentada e que se apoia sobre uma rústica bengala. Ele não soube definir quem poderia ser aquele sujeito. Aliais, o príncipe era muito jovem para entender aquele cenário tão cruel e triste, agindo assim com indiferença. Foi no momento que o cocheiro lhe respondeu que aquela figura era um velho.

           É importante esclarecer essa passagem, notadamente, essa história não escapa da construção representativa da simbologia da velhice dos anos 80. Basta inclinar-se o olhar do jovem pra o idoso. No ápice do capitalismo, onde toda a indústria brasileira se apoiava na mão de obra jovem e forte. O ancião perde seu valor, e tem sua figura associada a uma representação cultural de: decadente, doente, moribundo, incapaz, senil, invalido, desmemoriado, etc. Em alguns países o termo velho é negado, apontado que o ideal de status de beleza está no esplendor da juventude. No Brasil, muitos negaram sua idade, pintaram os cabelos brancos e jogaram as bengalas fora.  Isso porque o termo velhice pode também ser associado a uma forma de discriminação, o que depois dificultou os debates sobre a política do idoso nos anos 80. Alguns recortes do Diário de Pernambuco mostram a critica dos médicos (Gerontologia) sobre a necessidade de uma portaria que atendesse ao idoso, uma vez que faltava espaço clinico para eles. Depois, cobrava-se ajuda financeira e uma aposentadoria justa aos trabalhadores, porque pairava sobre eles o medo de terminarem a vida dependendo da boa vontade da Santa casa da Misericórdia. O descaso era tanto, que inclusive, os familiares podiam abandonar seus idosos, jogando eles em casa de cuidados especiais ou simplesmente abandonando nas ruas como indigentes.

             É importante esclarecer essas palavras tão secas e problemáticas, pois com elas podemos entrar em um debate mais rico sobre a exclusão do idoso, da visão da alteridade e dos símbolos representados pela sociedade a cerca da figura de uma pessoa mais velha. Nesse processo, se entende que a representação é como um sistema complexo de signos e símbolos que podem falar da multiplicidade de uma cultura e da produção de um grupo social. Assim como os órgãos do corpo, cada fagulha representada por uma sociedade pode falar não apenas do fator econômico- política, mas abordar a emergência da vida e do cotidiano.

 

Problemas da pesquisa

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              Talvez, o primeiro e mais forte problema dessa pesquisa está na falta de trabalho acadêmico dos historiadores para o tema da 3ª idade.  Em canais de busca ou em artigos científicos, apenas foram encontrado, em sua grande maioria, projetos e pesquisa de gerontologia. E a respeito disso, cresceu muitas duvidas, principalmente sobre o cenário internacional e nacional dos relativos questionamentos levantados pela ONU (Organização mundial das Nações Unidas) em 1982. Será um ancião um agente histórico?  Porque a sua imagem não ganha mais visibilidade no Brasil nesse período?  Considera-se o idoso como objeto da ciência, da História e da sociedade?

              Deve-se destacar que o fato de ter mais pessoas “velhas” em uma sociedade, quer dizer que a taxa de mortalidade anda em baixa. Ainda assim, é nítido no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Econômica) que o índice numérico de idoso é diferente para as áreas rurais e urbanas.  Compreender os dados estatísticos entre 1980 e 1985 será um fator primordial para saber a dispersão e até onde vai o discurso das autoridades para esses sujeitos. Na verdade, é entender o que a sociedade faz com os seus membros, e até onde eles podem desempenhar um papel dentro dela. Por ultimo analisar como, culturalmente e socialmente, essas pessoas são representadas pelo discurso medico e pelas estereotipias associadas ao “povo de cabelos brancos”.

             No mais, os antropólogos e a História cultural legaram todo um manual a cerca do papel cultural da memória, fator que o próprio Jacque le goff  aborda criticamente. Nas sociedades milenares, ser idoso representava ter status social. Quem cuida de seu clã, sabe o quanto a identidade se coloca no centro do ritual, e de seu  prestigio social entre os outros povos. Essa memória sempre esteve rodeada por um chefe, aquele que sabe tudo sobre sua família, cabendo a ele o direito de julgar e ofertar as leis de conduta que melhor possa atender a sua descendência ancestral. Tudo e qualquer problema no povoado tinha que passar pelas mãos de um ancião, pois cabia a ele direcionar um destino daquela problemática. Por sua vez, os jovens abaixavam a cabeça em sinal de respeito para os seus mestres, escutando e anotando em seu intimo toda história de sua família antepassada. O aspecto da memória em uma sociedade milenar se nortear pela representação da ancestralidade, e toda vida em coletivo étnico girava em torno de uma figura paterno-materna mais velha. Entender como esse sujeito perdeu seus status na Modernidade é outro processo que depende muito de uma análise aprofundada do contexto histórico em que a velhice está associada.

             Entender essa mudança, visando os aspectos da representação simbólica da cabeça branca, da bengala e mobilidade reduzida deve está para além do papel de “instituições de repouso”, como é o caso da santa casa da misericórdia. Esse morfismo de significados para a velhice poderá nos ajudar a compreender a emergência dos sujeitos, onde um símbolo pode significa tantas definições diferentes. Outra problemática dos anos 80, talvez a mais atual, está no debate sobre o salário mínimo e a assistência ao idoso, que apesar de seus embates psicológicos, ainda  eram considerado como “os incapazes de serem geridos por si próprios”. 

               Selecionar as fontes é uma tarefa de “mestre dos magos”, pois cada noite de sono trabalhada, sobre a face móvel dos periódicos de jornais, revelou a tamanha dificuldade para encontrar as o arquivo necessárias para poder escrever e responder as vastas dúvidas levantadas sobre a pesquisa. De repente, vinha mais uma foto, uma idosa atropelada por uma pessoa desconhecida.  Em uma semana, havia um amontoado de noticias e outras sobre o debate da geriatria, e que sem sombras de duvidas, teve um papel formidável no calor dos anos 80.  Eles falavam que o idoso não era um ser apenas senil, que vivia sobre a sombra das doenças de sua época, mas eram em primeiro lugar pessoas. O debate da clinica apontava a necessidade de atender medicinalmente e politicamente a 3ª idade. Talvez, seja por isso que tantos projetos científicos foram produzidos na medicina. Em contrapartida, não havia fontes nos jornais para algum cientista- historiador que mediante ao cataclismo de revolta social, pudesse falar junto aos gerontologos. E está é a maior problemática e duvida; o porquê do tema não ser debatido pelas ciências humanas.  O que faltou? Porque atualmente, não foi encontrada fonte sobre o tema dessa pesquisa na cartilha das ciências humanas.

 

Justificativas



Fontes: Jornal do Comercio, 1ª de Fevereiro de 1980. Direitos autorais do próprio periódico.

 


             Observa-se no pequeno recorte de reportarem um acontecimento cotidiano, no qual uma pessoa comum teve sua vida ceifada por outra. A parteira Marta Cândida foi atropelada por um coronel. Ainda assim o socorro veio, levando ela para o Hospital Getulio Vargas (HGV). Chegando lá foi verificado que a paciente tinha fraturado a bacia e a perna. Muito debilitada, a mulher de 60 anos não resistiu ao ferimento e veio a entrar em óbito. No entanto, existe outra questão pequena na reportagem, que mostra um olhar mais aprofundado sobre a dicotomia entre jovem e idoso. Uma relação de poder que realça o desprezo com os indivíduos considerados como inferiores, por serem considerados simbolicamente como moribundos e sem valor para uma sociedade que se baseia no espírito da jovialidade. Devido ao mercado de trabalho tão competitivo já nos anos 80, muitos dos idosos não tinham vez na indústria. Esses eram representados alegoricamente como inválidos, dependendo dos cuidados de um tutor. Simplesmente, igualados a uma criança, sem ter forças para lutar contra um discurso opressor, o que legitimava apenas a figura do homem robusto. No trecho de Jornal do Comercio, o evento muito corriqueiro, ver a fuga do motorista como algo comum. Aliais, por quais motivos ele negara ajuda a seu semelhante?          Ele, um coronel, símbolo do status da juventude e do poder. Apenas justificara mais ações como a dele, que simplesmente se pauta pelo ato da fuga após o atropelamento. Segundo, o embate entre o jovem e o velho esclarece os problemas de uma sociedade que escolhe a dedo onde enquadrar seus idosos.

            Por esse motivo, os relatos de tantos pesquisadores da época apontam para a exclusão do idoso.  Simone De Beauvoir destaca que na sua época o termo velhice e venho eram encarado com certa ressalva. Na França o assunto era proibido, pois apenas havia pessoas menos jovens que as outras. Assim, a velhice era negada em todo o mundo. Existe assim, uma visão (representação) visualizada através das imagens (alteridade- visão do outro para o velho). E é essa visão que determina quem é venho ou não.

           Ressaltando-se que ainda tem a negação da imagem da velhice para o próprio idoso. Como se observou no relato posterior, o mercado de trabalho e a indústria cultural vão cada vez mais distanciar da vida cotidiana os seus considerados “moribundos”. A mídia vai eternizar a beleza e o belo, tornando feio o corpo “frágil”. Os anos 80 carregam consigo um debate muito aprofundando sobre a aposentadoria e tempo de trabalho. E mesmo com um estatuto do trabalhador e uma CLT, ocorria muitos problemas, como por exemplo: abono de natal, férias, auxilio em caso de doença etc. E muitos trabalhadores queriam ser assistidos depois que a idade chegasse. Então, se tinha o problema do preconceito do discurso para o idoso, e o descaso com o trabalhador, que apesar de tudo vivia sob face da inflação. Como exemplo, o preço da carne vermelha subia constantemente, e em Pernambuco os preços das mercadorias subiam como o do óleo disel etc.

           Nota-se que todo esse contexto histórico é importante para percebe o motivo que leva uma sociedade a excluir seus semelhantes. E é a partir do estudo do idoso que é observado como é formado o imaginário social para os símbolos e códigos de conduta do comportamento em coletivo. Claro, a figura de outrem é construída ao longo do tempo, trazendo consigo um morfismo de significados culturalmente adaptados para cada situação. A esse propósito, o idoso vai negar sua própria identidade, acreditando que se for taxado como doente ou invalido vai acabar sendo excluído verazmente por seu semelhante. Assim, o ato de pintar os cabelos brancos pode significar o próprio apelo de esconde os sinais do envelhecimento, e incentiva o “show da beleza” tanto propagada pela indústria cultural.

           A justificativa para essa pesquisa se baseia nesse breve tópico. Não podemos compreender o hoje (visão do idoso) sem chegar ao passado. A partir daí, se nota o processo de longa duração da construção do imaginário social para o idoso. Cabendo fazer um referencial aos veículos de informações da época, em especial, depois da assembleia em Viena, onde a atenção se voltou para o Idoso. E foi nesse período que o Brasil decretou em 1982, o dia nacional do idoso.

            De 1960 a 1998, a expectativa de vida da população brasileira cresceu isso devido aos ganhos com a ampliação de saneamento básico, política de saúde, urbanização e crescimento da cidade. Uma grande parcela rural migrou para a cidade, buscando uma melhora de vida. É claro, a urbanização de uma cidade esta associada aos seus pedestres anciões. Mas saber como essa relação entre crescimento urbano e humano é outro processo complicado. No mais, o imaginário de uma cidade progressista tem uma visão da evolução de sua população? Ou ela vai excluir todos que forem considerados como um subúrbio ou apêndice do centro urbano.  Esse é mais um empate ao termo “transição demográfica”.

             O que é a “dinâmica do cotidiano” e quais relações com o estudo Histórico? Ao longo da História as relações interpessoais facilitaram o desenvolvimento da cultura, apesar das dificuldades, o homem pode se adaptar ao meio ambiente, aperfeiçoando seus utensílios e objetos pessoais. Faz parte da “dinâmica do cotidiano” as instituições detentoras do saber, a família, a escola, o Estado. Com tudo, de maneira geral, se deve observar criticamente as práticas sociais que circundam os indivíduos, como o individualismo, o fetiche da mercadoria, lutas de classes:  empresa capitalista contra os idosos, a exclusão social,  entre outros fatores que apontam para uma representação superfula da velhice.

          Com a crise da Razão, mediante o avanço tecnológico no século XIX, os indivíduos passaram a se afastar cada vez mais de suas identidades étnicas e culturais.  A ideologia da competição e a barbárie fez com que os velhos se tornassem resíduos descartáveis.  E basta caminhar pela cidade, independente do bairro, sempre haverá um morador rua. Essa pessoa, certamente pode ser beneficiária do sistema de aposentadoria ou de outro benefício. Ainda assim, ela está dormindo em um chão frio, enrolado por um cobertor velho. São esses questionamentos que levaram o caminha dessa pesquisa. Sem isso, não se pode entender a sociedade e sua produção, os sujeitos e as instituições de saber. 

          O debate da aposentadoria se estendeu até 1985, onde varias considerações de apoio ao idoso foram criadas.  Mesmo quando Figueiredo decretou 1982 como o ano nacional do idoso, muitos pessoas viram o descaso e o abandono do velho com ressalvas.  A doutora Ana Aslan, representante da clinica Geriátrica Bucareste criticou o governo. Apontando que devia ser criada medidas que fornecesse segurança e dignidade aos idosos no Brasil. Suas criticas foram postadas no dia 24 de Fevereiro de 1982, no Jornal Diário de Pernambuco. Em suma, o trabalho  dela estava em conscientizar o povo sobre a necessidade de ter mais cuidados com seus velhinhos, e negar a pratica do abandono e exclusão deles. Opta-se em uma maneira de inseri-los socialmente e culturalmente.  Logo a baixo tem o relato da Doutora a cerca do decreto do dia nacional do idoso em 1982.



      


             De acordo com a tabela abaixo, disponibilizada pela TabNet  data Sus,  o número de  pessoas com a idade entre 70 e acima de 80 é maior na zona urbana, totalizando um total de 101.717 % de habitantes. E esse número varia de acordo com a queda da taxa de mortalidade e o desenvolvimento urbano de Pernambuco.  Em 1982, essa porcentagem salta para 137. 343%, e em 1985 fica na oscilando entre a margem de 174.353 para 281,544%.  Essas  mudanças podem se relacionar que entre 1980 e 1985, houve  um aumento de assistência básica para os velhos.






Revisão teórica

           Ao longo das escolas historiográficas, o desenvolvimento ou técnicas de conceituar a História estavam ligadas a núcleos de saberes particulares, influenciados por pressupostos teóricos que caracterizavam cada grupo. No positivismo se organizava através das ponderações da física social de Comte, como topo pensamento social evolucionista posterior ao século XIX. Muitas vezes, os discursos dos grupos detentores do saber não conseguiram compreender adequadamente a realidade do mundo, julgando outras culturas e sujeitos a partir de um discurso civilizador.  Na realidade, o discurso político – imperialista apenas via com bons olhos os considerados vis e jovens europeus civilizados, todavia excluía os sujeitos da História. Sujeito esse que vivia fora do alcance do estrangeiro, adaptado a tantos ritos de passagens, onde o ato de lembrar significava se aproximar dos deuses e perpetuar sua linhagem pela terra.

            Não diferente, a antropologia evolucionista Darwinista, o positivismo se inclinavam e explicavam tudo através de leis gerais, onde limitava o papel das ciências humanas e sua análise para o estudo de campo. Daí partiu o determinismo geográfico, biológico e o simplismo de muitos cientistas de gabinete de acreditar que era o meio natural que determinava uma cultura.  Esse discurso está explicito em primeira mão pelo geógrafo Friedriche Ratzel.  Franz Boas deu o primeiro passo ao criticar toda essa pretensão cientifica determinista positiva, apontado que não existe cultura melhor que a outra. E basta que o pesquisador se lançar no campo histórico para perceber que muito do discurso Europeu estava carregado de preceitos e estranhamentos.

             É importante salientar que o estudo sobre a memória teve muita influencia da etnologia, da antropologia cultura, da psicologia antropológica, etc. Em suma, a fundação da Escola dos Annales em 1929 por Marc Bloch e Lucien Febvre deu uma nova roupagem a História e as ciências humanas, pois essa escola se contrapõe a concepção historiográfica positivista e evenementielle. Houve então a expansão das fontes de pesquisa, como: o imaginário social acerca do papel dos indivíduos, a psicologia de grupo, a memória, história social. O objetivo estava em legar um debate interdisciplinar,  operando as especificidade das ações humanas. Na segunda geração da escola dos Annales, a curta, media e longa duração de Fernand Braudel apresentou a importância para um tempo de conjunturas que se modificam ou deixam permanência em uma sociedade. Não seria apenas um estudo do documento oficial, mas a necessidade do historiador se debruçar sobre as vastas interpretações sobre o mediterrâneo e as mudanças nas mentalidades das pessoas. Se nos anos 80 acontece a exclusão do idoso, cabe ao pesquisador buscar sua análise no campo.  Sabendo que tanto as teorias como a prática de pesquisa devem estar em harmonia, evitando assim os anacronismos e juízos de valores que não contemplem uma sociedade, seus símbolos e representações culturais. Já na terceira geração da escola dos Annales acontece um processo de abertura e expansão dos debates culturais.  A emergência da História estava sobre o viés da virada cultural e da antropologia histórica. Piter Buker  em “História cultural” mostra o quanto os anos 60 até os 80 foi importante para uma renovação na mentalidades dos intelectuais. O próprio conceito de cotidiano, de cultua, de identidade, de representação aponta para a diversidade do entendimento dos símbolos culturais. Como exemplo, uma briga de galos pode representa poder ou prestigio em uma sociedade. Os cabelos brancos representa sabedoria e experiência, mas tudo isso depende de como uma etnia ou grupo social organiza suas leis e imaginários a cerca de cada signo alegórico do idoso.  José de Assunção destaca a importância do conceito de representação em Roger Chartier, ao mesmo tempo, afirma que a representação na Historia Cultural não pode ser estudada apenas no campo da economia ou da política. Essa representação pode representar uma simbologia de poder, mas apontar ritos de passagens complexas de uma sociedade. Ao envelhecer, dentro de uma sociedade, acontece um rito da passagem do adulto para o ancião portador do controle e da lei de seu lar. Esse sujeito é a figura mestre de uma casa, onde toda a organização familiar depende de seus conselhos. Não se pode limitar a memória na figura de uma imagem da bengala ou do próprio atributo da indústria farmacêutica.

  Para Jacques Le Goff  a memória (lembrança) é uma propriedade que guarda informação, pessoais e coletivas, locais, psíquicas. Com ela o homem pode identificar o que considera como passado. No entanto, com a falta de importância das lembranças e dos vestígios do passado de outrem, perdem-se dados sobre a história de um bairro, o nascimento e vidas de parentes esquecidos pelo tempo. Le Goff ressalta que o estudo da memória social é fundamental, porque aborda os problemas do tempo e da História: “Tornar-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores destes mecanismos de manipulação da memória coletiva” ( LE. Gof, Jacques. Pag422)

            O livro de Le Goff “História e Memória” busca construir criticamente o conceito e estudo da memória. Ele estuda a memória ao longo do tempo para poder compreender o porquê da crise ou falência da arte de narrar na modernidade. Walter Benjamin tem alguns ensaios, que pode ser destacados “o Narrador”, “experiência e pobreza”.  Destacam-se alguns questionamentos sobre os motivos que levaram a barbárie e a crise da consciência histórica.  Há também, uma diferença entre viver e conviver. Assim, o conceito de experiência, e representação muda também na atualidade. Benjamin diz que a memória está morrendo porque a arte de narrar vive no período de crise. As pessoas não se identificam com o outro, não conseguem falar de suas lembranças, pois, depois da guerra, elas ficaram cheias de traumas e doentes. Por isso, Walter Benjamin diz que vivemos em uma barbárie, rodeados pela indústria capitalista e o fetiche de mercadoria. E um dos primeiros fatores que elucidam a crise da Memória é a exclusão dos anciãos é o afastamento do campesinato e do coletivo.

            Pode-se refletir com o trabalho da psicóloga Eclea Bosi sobre a memória e sua referência as lembranças dos idosos.  O livro “memória e sociedade: lembranças de velhos” faz uma abordagens riquíssimas sobre os aspectos biológicos do sistema nervoso.

           Tudo que foi escrito acima da um norte para o leitor, pois os anos 80 carrega o emblema da “emergência dos sujeitos”.

              Teoricamente, a discussão sobre as fontes utilizadas no projeto devem ser esclarecidas, uma vez que foi muito difícil compor uma caderneta tão completa sobre o assunto.  No primeiro momento têm-se os debates das fontes obtidas no Diário de Pernambuco, e Jornal do Comercio. Nesses periódicos constam muitos recortes sobre o debate de geriatria no Brasil, e a visão social para o idoso da época. Claro, essa fonte primaria é carregada o pelo discurso clinico, e o papel da santa casa da misericórdia no tratamento e cuidado dos idosos. O termo asilo não é muito comentado, mas é um lugar que já existia e vivia sempre lotado de indivíduos. Muito deles abandonados por seus familiares. Analisar essas fontes é o passo inicial para um debate teórico sobre o uso das imagens dentro dos noticiários de noticia.

             Depois, fazer uma análise de dados exposto da  densidade demográfica do idoso em Pernambuco. Com isso, se tem a noção do quantitativo do envelhecimento na cidade e a faixa etária equivalente. Esses dados reafirmaram a existência do idoso, muitas vezes negada pela população.

             Para finalizar, trazer um levantamento bibliográfico de todas as fontes de pesquisa acadêmicas encontradas. As grandes maiorias dos trabalhos estão no campo da geriatria, e o mínimo possível nas ciências humanas, havendo assim um ostracismo para o tema.  Assim, se tem o livro de Simone de Beauvoir sobre a velhice e a imagem da velhice para os sujeitos, o que pode ser considerado um dos clássicos da literatura  e de representação da imagem anciã. Outro clássico, no campo da psicologia, está o ilustre trabalho de  Ecléa Bosi em “Memória e sociedade: Lembranças de velho”. No campo da História e antropologia, o livro “Memória e História” de Jacques Le Goff, que vai trazer os aspectos da memória étnica até a memória HD virtual. Sua visão esclarece que o conceito de memória é múltiplo assim como o entendimento da História Cultural.  Outro autor marcante, e que não pode ser deixado de fora, é Walter Benjamin. Ele tem muitos escritos sobre a experiência, à crise da arte de narra, como a sua concepção de História e libertação aponta para a importância de uma narração que clareie os incluídos da História.  Trabalhos como o de Andre Lopes em “A sociedade brasileira de geriatria e gerontologia” confirma a emergência de todo debate medico dos anos 80 que esteve presente o tempo todo nas reuniões e nos artigos de jornais.  E é com esse autor  que surge as criticas do próprio tratado internacional do idoso produzido em Viena. Se o ano de 1982 é considerado como um marco no estudo cultura do idoso. A ONU não compreendeu que a imagem do idoso oscila em cada sociedade,  muitas vezes, é um fator negado. Tentar solucionar o problema 3ª idade não esteve 100% adequada a AME (Assembleia mundial do envelhecimento), pois cada grupo étnico aponta suas dificuldades de organização de seus parentes e buscam soluções que não estavam na cartilha universalista da AME. Claro, trazer os artigos de jornais sobre esse debate, como as criticas dos autores brasileiro no Diário de Pernambuco enumera as visões da imagem do idos. E depois com o reforço dos teóricos citados acima, fica mais rica a construção teórica sobre um tema tão importante e que merece toda a atenção. Alias, é a partir desse estudo, complexo e denso, que me proponho a responder o porque da falta do historiadores no debate sobre o envelhecimento e a representação simbólica do idoso nos anos de 1980 a 1985.

 

Objetivos

           O primeiro objetivo estar em discutir a imagem do idoso em Pernambuco, apontado o quanto esse símbolo se modificou e ganhou roupagem em 1982, em especial no debate geriátrico expressos nos jornais da época.  Como exemplo, a um recorte do Diário Correio da Manhã, datado do dia 23 de janeiro de 1983, que tem o seguinte titulo: “Não se envergonhe de sua velhice”. Essa publicação faz referencia a uma palestra de uma psicóloga estudiosa da velhice. A doutora Magna Léna Lea faz muita critica ao conceito de velho e de juventude, apontando que todos naquela época não deviam esconder ou negar seus cabelos brancos.  Termos como “Fica quieto porque se não o velho do saco vai te pegar” aponta o quanto o sinônimo do envelhecimento carrega preceitos para os indivíduos que são considerados feios.  Assim, sentindo o horror pelo fato de que a velhice chega para todos. Por outro lado o saudosismo da juventude é enobrecido como se fosse o esplendor da saúde. A partir daí se afirma, aquela mulher é feia. Ela tem cabelos brancos e é caduca. E logo todos vão negar suas idades, pintar seus cabelos e esconder que já sente seu corpo mais lento com o passar do tempo. Depois vem o medo voraz de virar mais um a compor um asilo.



             


             O embate com o conceito de velho virou manchete dos veículos de informação, muitos deles esclarecem o formato como a representação social da imagem de outrem se modifica ao longo do tempo.  E vendo cada pedaço das fontes da imprensa se pode perceber e sondar o imaginário do contexto histórico entre 1980 e 1985.

             No Recife, em 1982 ocorria a valorização do idoso e a campanha de ajuda aos asilos. Não se pode negar a parcela social que não é assistida pelo governo. Muitos desses indivíduos dependem da caridade, da ajuda de eu semelhante para sobreviver.  É nesse novo recorte do Diário da Manhã que podemos por em contradição a AME (Assembleia Mundial do envelhecimento) ocorrido em Viena no ano de 1982, que foi promovida com assistência da ONU. Se por um lado havia a necessidade de resolver a questão da velhice no mundo como algo universal. Por outro, deixam de notar as especificidades de cada situação local. No Recife havia muitos idosos abandonados por seus parentes, alojados nos asilos. E muitas das criticas veem dos próprios médicos, que sentiam e viam de perto o murmúrio de seus pacientes abandonados nos asilos.  Ainda assim, só se aposentavam quem contribuía mensalmente, esquecendo assim do habitante que moravam na zona rural que geralmente se nutria com seu próprio trabalho. Talvez o abandono do idoso seja mais marcante na cidade de que no interior de Pernambuco.

             É simplista julgar a velhice de forma universal, e ainda colocar todos no patamar de um País de “1ª mundo”, onde sua política publica atende a quase todas as necessidades de sua população. Porém, para o Brasil a história é outra, a realidade dos indivíduos não é contemplada com totalidade. A partir daí, o ano de 1982 e considerado o marco da geriatria e da luta a favor  das questões do envelhecimento. É esse grupo que vai se debruça sobre o debate da velhice no Brasil e também vai cobra do Estado campanhas adequadas, melhorias nas políticas públicas.Como exemplo, segue abaixo a reportagem sobre a campanha de ajuda ao idoso nos asilos, também chamada de SSAM (Serviço social Agamenon Magalhães) em 13 de Janeiro, de 1982.





           O programa SSAM dialogava com os idosos nas regiões urbanas da região Metropolitana do Recife. Mostrando o cotidiano, os jogos, xadrez e toda produção artísticas. O presidente da instituição Murilo Guerra, aponta que a iniciativa do projeto foi favorecida pelo governador de Pernambuco, Marco Marciel e as CBUs (Centros Sociais Urbanos). A exposição do trabalho de cada CBUs esclarece que cada sujeito tem sua importância, lugar onde existe uma assistência do governo de Pernambuco. Depois, Marco Marcial se torna ministro da educação e da cultura.  Pode-ser-á fazer outra análise a cerca das reportagens do Diário da Manhã. Os velhinhos que estava nas CBUS eram de alguma maneira assistidos, mas ao mesmo temo, não se pode negar que ainda havia  muitas pessoas em situação de carência e desumanidade. Isso explica o fato de ter tanto casos de acidentes com idoso entre 1980 e 1985.

             Não se sabe ao certo o número exato de idosos nos abrigos, todavia os dados estatísticos da densidade demográfica apontam para o crescimento desse grupo. Já em 1980, é visto no Diário de Pernambuco algumas cobraça dos grupos de Geriatria no Brasil. Em especial, acerca do pedido para o Estado criar um sistema de previdência social adequada que possa reduzir o numero de pessoas nos asilos.  A solução estava em Brasília, com os conselheiros da Presidência da Republica e uma negociação sobre a finalidade e ações para a aposentadoria.  Nesse mesmo período Lea Leal falava na reunião geriátrica em Itamarati que a situação do idoso no Brasil deixa a desejar. E por isso cobrava mudanças urgentes. Logo a seguir, tem um recorte do Diário de Pernambuco, onde os geriátricos cobram atitudes dos governantes em Brasília em 1980 (imagem 1). Em seguida, há outro recorte da campanha em Itamarati, recorte que apresenta o posicionamento da presidenta  Léa Leal na legião Brasileira de assistência ao idoso. Nesse texto, os médicos se lançam em um movimento prol a uma campanha que dessa mais visibilidade a questão dos idosos nos asilos e a assistência a vida, na medida em que o ancião se sinta integrado na sociedade brasileira (imagem 2)





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imagem  2







            É complicado relatar e dar cabo de tanta informação, que antes estão imenso em um desconhecimento. Claro, o objetivo de analisa os veículos de informação, de forma geral, tapas algumas lacunas sobre a falta de fontes discursivas pelos historiadores. E não se pode negar essa falta. Será que a representação do idoso nos anos 80 não tinha toda essa importância, além do debate sobre a economia e a política?   Um fator é bem claro, esse período é destacado por um crescimento da massa urbana da 3ª idade. E explicar a emergência do sujeito está na derme de toda uma discussão medica social, e cultural- histórica.

           Nesses periódicos o apelo da geriatria é constante. Assim se pretende estuda da velhice e do processo do envelhecimento, vendo também como o fator de problema social. No entanto, devem ser considerados os aspectos culturais, biológico-emocionais, históricos, antropológicos e psíquicos.  Antes de chegar ao debate formado pelos pensadores que trabalham sobre a memória e lembrança, biologia e identidade, História e Cultura  é muito importante nessa pesquisa que o discurso geriátrico nos jornais sejam resgatados e estudados.

           O segundo objetivo visa analisar alguns conceitos na historiográfica, como: memória, lembranças, experiência, liberdade, cotidiano, velho e velhice. E a partir daí entender a complexidade dos conceitos e sua relação com os anos 80. Por isso alguns autores são importantes. A critica sobre a velhice de Simone apresenta as faces da representação da imagem do idoso, todavia,  nota que na negação da identidade está na ótica de uma doutrina imposta pelos veículos do fetiche da beleza e da industria cultural. A esse respeito, Walter Benjamin fala em “experiência e pobreza” que na Modernidade, as pessoas não falam, se negam a compartilhar suas historias de vidas. Como um espelho que mostra uma imagem, mas que não absorve nada.  Da mesma maneira ele aponta que a arte de narra está definhando e que a memória ancestral deixou de ser seu valor de identidade coletiva.  Nikolai Leskov foi o grande viajante que vivia ancorando nas historias de cada etnia. Sem sobra de duvida, um relato seco chamou mais atenção que todos, o que foi enaltecido por Benjamin. O grande rei do Egito foi derrotado por seus rivais, e ele sabia que a morte o esperava na espreita. Ainda assim, não derramou nenhuma lagrima. Psammenit se viu frente dos Persas, sendo obrigado a desfilar em um cortejo na rua. Ele viu sua filha ser reduzia ao status de serva, e depois, sentiu o pesar de ver seu primogênito ser levado para a morte. Como Psammenit não chorou?  Será que seus parentes não valiam suas lagrimas mais intimas? Essa historia mudou quando um de seus criados foi arrastado para a morte. Um velho servo que estava na família real à gerações. Vendo aquilo, o rei egípcio se desesperou e socou a cabeça em sinal de angustia.  Aqui há um significado mais profundo, pois um velho servo tinha status da memória- tradição de uma família ou clã. E por isso que a finalização da vida dele significava a morte de uma cultural - geração.  Os cabelos brancos representavam poder de alguém que viveu bastante e tinha muito ainda para legar a seus descendentes. Excluir um ancião era tido como um dos pecados mais mortais de um reino.

            Por que se fala em morte da arte de narrar? A escolha dos anos 80 foi feita a partir de uma seleção das fontes dos jornais da época. De 1980 a 1985 se vê uma gama de sujeitos sendo excluídos por seus parentes, silenciados por uma vida que apenas dava importância a mão de obra jovem. Esse venho se torna um fardo para os seus, tem o status de menoridade e fica na dependência de cuidados de um tutor. Simone e Ecléa Bosi mostram que o a velhice faz parte da vida, ninguém escapa dela.  Porém, e a parte do relato, das lembranças que se pode construir a história de uma cultura, de um povo.  E são esses autores principais que foram utilizados para fazer uma discussão mais aprofundada sobre a concepção da memória e da representação da velhice nos no século XX, o que conversaram a todo o momento com as fontes dos diários de noticias.

         

Metodologia:

            Para entender a dinâmica do cotidiano, deve-se compreende as influências cognitivas, culturais, sociais e políticas dentro de uma sociedade. Isso é importante para entender a representação como um artifício rodeado de significados, como a pena de um pavão pode destacar a nobreza no carnaval e apontar a forma como as pessoas lidam com as outras.

              Esse trabalho será dividido em 2 partes. Na primeira, visa entender a relação dos sujeitos com seus familiares, os fatores que levam a exclusão do idoso. Necessariamente, é nessa parte que se terá todos os dados obtidos pelos levantamentos das fontes primárias dos jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Comercio e Diário da manhã. Com esses dados se poderão notar como o velho estava inserido em Pernambuco entre 1980 e 1985. Assim teremos alguns tópicos, como:

1-      Idos e o asilo

2-       Imagem e representação do idoso (aceitação e negação dos cabelos brancos)

3-      Cobrança do corpo medico ao Governo

4-      Discurso da aposentadoria com a finalidade de reduzir o quantitativo de idosos nos asilos

5-      Descaso com idoso, na rua e nos centro urbanos.

 

            A concepção de idoso muda ao longo do tempo, dependendo como eles estão inseridos na sociedade. No caso dos jornais, existe a possibilidade de perceber a problemática sobre a “emergência dos sujeitos”. Essa emergência não se limita a um discurso internacional da ONU em 1982, muito menos a generalização de entender a 3ª idade como um fator apenas biológico, pois exclui os aspectos sociais e representações simbólicas da imagem do individuo de cabelos brancos.

         A segunda parte se inclina na resolução da falta de participação dos historiadores nos debates  em que a geriatria participava anos 80. Talvez, por esse motivo que se tenha tantos trabalhos científicos sobre eles, principalmente em questão de políticas publicas.  Nessa parte, serão mostrados todos os dados a cerca do tema: artigos, trabalhos acadêmicos, etc. Basicamente, o foco teórico estará em autores com: Walter Benjamin, Ecléa Bosi, Simone de Beauvouir, Jacques Le Goff. Andre Lopes aponta que já em 1985 é criada a confederação brasileira de aposentadoria e pensionista (COBAP), mas esse debate está no meando de todo contexto de 1982.  Esses autores revelam que a memória, como o idoso fazem parte de uma estrutura muito complexa da sociedade. E para isso é necessário que façamos uma leitura da a representação da imagem do idoso.

 

*Bacharel em História na UFPE, e estudante do curso de Licenciatura em História  EADTEC- Recife- UFRPE.

 

Referencias bibliográficas

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